MINÚSCULOS REDEMOINHOS NO SOL
A superfície visível do Sol, a fotosfera, nunca está parada. Ela é coberta de grânulos: células de plasma quente que sobem pelo meio, esfriam e depois descem de volta pelas faixas mais escuras entre elas. Nessa agitação, o gás também gira.
Redemoinhos de todos os tamanhos
Estruturas de plasma em rotação já foram vistas no Sol numa ampla gama de escalas, de vários milhares de quilômetros até algumas centenas. Acredita-se que elas transportem energia e campo magnético torcido da superfície até a cromosfera e a coroa, e que possam ajudar a aquecer essas camadas superiores.
Simulações de computador de ponta (o código MURaM) foram além. Elas previram uma rica população de redemoinhos muito menores, de 50 a 100 quilômetros de diâmetro, escondidos nas faixas entre os grânulos. Um estudo de 2021 chegou a sugerir que lâminas de corrente elétrica em suas bordas poderiam aquecer eficientemente a cromosfera. Mas nenhum instrumento era nítido o bastante para vê-los: as melhores observações anteriores alcançavam estruturas de cerca de 150 quilômetros.
O olhar mais nítido sobre o Sol
O Telescópio Solar Daniel K. Inouye (DKIST), no Haleakalā, no Havaí, tem um espelho de 4 metros. Em 14 de abril de 2025, uma câmera de teste do Instituto Max Planck de Göttingen registrou uma pequena região magnética perto de um poro escuro, no comprimento de onda de 416 nanômetros, a 740 imagens por segundo.
A equipe combinou lotes de 2.000 imagens brutas em cada imagem final nítida. O resultado: 143 imagens, uma a cada 1,35 segundo, cobrindo cerca de 3,2 minutos, com resolução de 12,3 quilômetros. O campo de visão media cerca de 4.900 por 4.100 quilômetros.
Em seguida, acompanharam como o padrão se movia de uma imagem para a seguinte e usaram um teste matemático que isola os escoamentos que realmente giram.

Movimento médio do plasma ao longo de 3,2 minutos, com detalhes de dois redemoinhos girando em sentidos opostos. — Figura 2, Vargas Domínguez et al. (2026), arXiv:2609.30051.
O que eles viram
- 201 redemoinhos detectados, até 7 ao mesmo tempo.
- Diâmetro típico (mediana): 38,6 quilômetros. Mais de 99% têm menos de 50 quilômetros.
- Período de rotação típico: 37,3 segundos, como as simulações previam.
- Nenhum sentido preferido: 54% giram para um lado, 46% para o outro — nessas escalas, a força de Coriolis ligada à rotação do Sol não tem papel algum.
- Ficam sobretudo nas faixas entre os grânulos, também como previsto.

Resumo da detecção: redemoinhos encontrados em cada imagem, seus tamanhos (mediana de 38,6 km), períodos de rotação e tempos de vida. — Figura 3, Vargas Domínguez et al. (2026), arXiv:2609.30051.
Segundo os autores, esta é a primeira observação direta desses vórtices subgranulares — cerca de dez vezes menores em diâmetro do que os redemoinhos observados em 2008.
Próximo passo: segui-los para cima
As simulações preveem que esses redemoinhos lançam ondas de torção na atmosfera acima deles. A equipe agora planeja procurar suas contrapartes mais acima, na cromosfera. Isso testaria diretamente se esses minúsculos vórtices ajudam a aquecer a atmosfera do Sol.
Limites
Os dados cobrem apenas 3,2 minutos e uma única região. O limiar de detecção foi deliberadamente rigoroso: só retém os redemoinhos mais intensos e compactos. Os maiores e mais lentos, visíveis no filme, não são contados — portanto, certamente há mais.
